Arquivo por categoria: Dicas de leitura

Um futuro não muito agradável…

Se imagine em um futuro de 2080, onde o mundo já não é mais como conhecemos, a tecnologia está mais superior e robôs já existem. Mas não são para pegar uma bebida para você ou algo do gênero, e sim para substituir soldados e manter a lei. Agora se veja confinado em uma cidade morta, aonde o governo jogará vários soldados robôs para tentar te torturar ou até mesmo matar, e se você quiser sair de lá você terá só uma opção: lutar para sobreviver.

E ai, ficou curioso? Então assista a nossa resenha do livro Cidades Mortas do escritor  Dener. B. Lopes, que será resenhado pelo nosso projeto Litera Brasil! Assista!

 

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LITERA BRASIL

Você já percebeu como a Literatura Brasileira não é prestigiada? Com esse pensamento nos do Canal A Culpa é Dos Leitores, criamos o projeto Litera Brasil, onde reuniremos vários escritores, e resenharemos as suas obras, com o objetivo de divulgar a literatura Brasileira, Toda semana, faremos vídeos , mostrando o que a de melhor na literatura, E o melhor de tudo, será Realizado vários sorteios durante a duração do projeto, como kits de marcadores, kits de mimos, e até mesmo livros, Quer saber mais? Acesse ao nosso vídeo informativo:

 

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O Italiano do Ponto do Táxi

Era impossível passar pela praça da avenida sem reparar no ponto do táxi. Primeiro, pelo zelo e pela limpeza. Segundo, pelo velho gordo careca sem dentes que depositava ali boa parte das horas que a aposentadoria lhe dava.

Ele chamava a atenção pelo franco sorriso e pela simpatia contagiante, que brilhavam mais do que o ponto asseado – este se resolve com boa vontade e vassouras; simpatia é só com talento.

O senhor dizia a qualquer um que era italiano. E dizia várias coisas. E disparava a falar. E não havia ninguém que resistisse àquela conversa. No ponto, não dava para ignorar o quanto ele se divertia com os taxistas, e vice-e-versa. E quem passava por lá se divertia com a diversão deles. Eu, pelo menos, praticamente fazia questão. Aquela vista chegava a mudar o meu dia.

De vez em quando, o Italiano do Ponto do Táxi (ele é um personagem do Nelson Rodrigues, merece o título, não é um diminutivo preguiçoso), dava uns pulos na banca de jornal em frente à praça. Lá, saltavam seus comentários objetivos e tranquilos sobre os políticos – “TUDO LADRÃO!!!” –, os futebolistas – “TUDO PERNA DE PAU!!!” –, os funcionários públicos – “TUDO VAGABUNDO!!!” –, e demais assuntos.

taxi

Não sei quando ele começou a frequentar o ponto de táxi. Desde quando eu comecei a passar ali, ele estava lá. O italiano foi um sempre legal nas minhas passagens por aquela praça.

Mas, um dia, de repente, o ponto de táxi ficou apenas limpo. O mestre não apareceu mais. Ninguém soube o que aconteceu – e, como ninguém era íntimo dele, ninguém foi perguntar a nenhum dos taxistas. Os dias foram passando. E ele não voltou.

A verdade é que o lugar ficou xoxo. Aquele normal bacana passou a não acontecer mais por conta da ausência de alguém que não conhecíamos direito, mas adorávamos (me recuso a crer que apenas eu gostava daquele senhor). Aquele personagem que dava tempero ao lugar, que dava colorido a um pedacinho da praça, cadê? Eu não ligaria se a praça ficasse um pouquinho suja. Desde que o Italiano do Ponto do Táxi voltasse às nossas passagens pela praça.

Participação do Leandro Vieira, de São Paulo. @Levidosan

Participe você também. Mostre a sua arte ou indique uma. Vamos juntos valorizar o dom brasileiro, autor de todas as artes. Mais informações: participe@artenomovimento.com.br

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O EVANGELHO DAS RUAS

Finalmente o meu livro está pronto! O Evangelho das Ruas reescreve um valioso tesouro que perdeu a voz: a essência do brasileiro simples, que também carrega valores, apresenta uma fé inabalável e emite um olhar crucial sobre o universo.

Capa do livro

Essa riqueza nacional do meu povo, tão desprezada pelas lentes do jornalismo lucrativo; outras vezes vulgar, foi registrada por um repórter quase imperceptível, que usando as ferramentas básicas do jornalismo, testemunhou “O Evangelho das Ruas”, que transpira o autêntico sentimento humano, dá voz aos ignorados onde a lei, muitas vezes, é o fio do bigode, o amor se transforma num colapso rotineiro e a vida, na mais profunda simplicidade, é um espetáculo abençoado.

Nesse cenário, Barney é o personagem principal, o repórter que escuta o silêncio, pergunta sem perguntar e registra tudo preservando a essência da fatídica realidade. Seu olhar sobre os fatos dá voz ao imprevisível. Seus entrevistados nem sempre são convidados para tal reportagem. Para Barney, é a informação que interessa e, muitas vezes, é a força da imaginação que o conduz no labirinto da vida.

Recheado de contos e poesias, o livro foi produzido de forma independente e está disponível na versão impressa e na versão digital, para você ler no celular, tablet ou computador. Em 2014, iremos intensificar a divulgação por aqui visando, principalmente, a colaboração dos diversos leitores espalhados pelo mundo para manutenção deste projeto que mantenho aos trancos e barrancos, graças a Deus. Pois assim, temos nossa liberdade e podemos compartilhar o talento brasileiro sem politicagem. Se você acredita e valoriza este projeto, vai nos dar a honra da leitura.

Marcelo Andrade trabalha na produtoramc – Escreve aqui segunda a noite.

contato@produtoramc.com.br

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Gosta de escrever, mas não encontra liberdade e espaço? Venha ser colunista do Projeto ArtenoMovimento. participe@artenomovimento.com.br

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DANÇAS

Meu único encantamento foi pela bunda!
Volumosa, projetada e com uma sólida oscilação. Instigante!
Profunda, firme e com uma estável ondulação. Inquietante
Justo afirmar que depois ela disse que tudo é graça divina. “Nasci assim!!!”

Na primeira dança, samba rock e dois cafés fortes para mim
Vieram nomes, interesses e investigações. “Sempre vem aqui?”

Na segunda dança, valsa e um cigarro de filtro branco
Surgiram as intenções, variações e afirmações. “Fico bebinha até com bombom de licor!!!”

Na terceira dança, bolero e duas cervejas geladas.
Brotou a excitação, considerações e confissões. “Acho que sou uma das meninas superpoderosas!!”

Na quarta dança, troika siberiana e uma caipirinha e meia de vodca com lima
Despontaram apertos, aconchegos e adivinhações. ”Sabe o que dá o cruzamento de Kero-kero com um Pica pau?”

Na quinta dança, tango e dois fermet
Emergiram beijos, apegos e revelações. “Sempre me achei meio sandalinha! O que você acha?”

Na sexta dança, chá-chá-chá, e meio viagra para mim.
Apareceu o convite, aceitação e excitações. “Antes tenho que ligar para minha avó!!!”

Depois de muito bem servida, comentou: “Nossa!! Sabia que você é muito mais velho do que meu pai!!!”

Ne me quitte pas

— Meu mundo caiu/ E me fez ficar assim/ Você conseguiu/ E agora diz que tem pena de mim…
Antes de fechar a porta já sei: minha mãe está bêbada!
— Não sei se me explico bem/ Eu nada pedi/ Nem a você nem a ninguém/ Não fui eu que caí…
Tranco com duas voltas a porta.

Fecho o vitrô da sala.
— Sei que você me entendeu/ Sei também que não vai se importar/ Se meu mundo caiu/ Eu que aprenda a levantar…

Faço vestir uma calcinha, um sutiã e o penhoir rosa. O azul está mijado!

Ligo o rádio bem alto.
— Onde estás que não respondes?/ Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes…

Recolho as garrafas.
Limpo os cinzeiros.
Jogo no vaso do banheiro os restos de cigarro.

Tentando me alegrar com um hully-gully, ela vomita no meu pé.
— Ouça, vá viver/ Sua vida com outro bem/ Hoje eu já cansei/ De pra você não ser ninguém…

Lavo o banheiro.
Faço ela escovar os dentes. Troco o meu bamba e separo uma Cibalena. Melhor: três!
— O passado não foi o bastante/ Pra lhe convencer/ Que o futuro seria bem grande/ Só eu e você…

Tiro pó dos móveis. Enquanto ela dança um twist.
A medida que varro a sala, ela imita a Marta Rocha com o penhoir à meio seio.
— Vai lembrar que um dia existiu/ Um alguém que só carinho pediu/ E você fez questão de não dar/ Fez questão de negar…

Limpo os quartos.
Ela prepara o falsete “xeniabiar”.
— Sabe que a nova namorada do seu pai mandou lembranças?
Troco as roupas das camas.

Ela senta na ponta da cômoda no estilo “claudiabarroso”.
— Agora é uma biscatinha quase mais nova que você?

Arrumo o guarda-roupa.
— Estranho amor,/ Regressaste e eu te aceito,/ Pois minhas noites são longas,/ Os meus dias são vazios…

Deixo os meus meiões e cuecas de molho e lavo as camisas do meu pai. Com especial atenção para o colarinho e os punhos.
— Perto de ti sofro muito,/ Longe de ti, sofro mais,/ Somos iguais,/ Vivemos do ódio do amor,/ Estranho amor…

Passo a saia azul marinho de minha irmã.
— Sempre quis ser telefonista… mas fui casar!— e quase cai do criado mudo.

Coloco o feijão de molho.
— Sempre quis ser professora… mas fui casar! — e tropeça no banquinho da vovô.

Escolho o arroz.
— Sempre quis ser vendedora da Avon… mas fui casar!— grita da sala.

Tempero os bifes.
— Sempre quis ser trapezista… mas fui casar! — sussura do banheiro algo que nem quero saber.

Batendo um bolo de fubá constato que daqui a pouco vou gritar com ela!
— Hoje eu quero a rosa mais linda que houver/ E a primeira estrela que vier…

Vou gritar e ela vai abrir aqueles olhões de ressaca.
Vai fazer cara de “maneminhamãe”
— Para enfeitar a noite do meu bem/ Hoje eu quero paz de criança dormindo…

Vou gritar mais alto.
Dizer que não aguento.
Dizer que não quero mais isto e ela vai dar uma de “joãosembraço” mordendo a alça do sutiã.
— E o abandono de flores se abrindo/ Para enfeitar a noite do meu bem.

Vou berrar para ela “assentarofacho”.

Ela vai fazer a mesma cara de cadela bêbada sem dono e tentar mudar de estação no rádio.
— Ne me quitte pas…

Vai para o quarto arrastando os chinelos, tentando fechar o penhoir e não acertando nenhuma casa.
— Ne me quitte pas…

Vai chorar de berrar.
— Ne me quitte pas… tô só esperando vocês crescerem pra voltar pro meu francês! — diz a mesma coisa desde que eu era pequeno.

Vai dormir de boca aberta.
Depois
Bem depois.
Muito depois da novela das oito: vai acordar.
Vai reclamar de dor de cabeça.
Vai tomar duas Cibalenas com café.
Vai bater as panelas na cozinha.
Vai enrolar na sala e me chamar para ir na padaria. Quer comprar chicletes.
No caminho vai chorar muito mais e pedir as velhas desculpas.
— Nunca mais vou fazer/ O que o meu coração pedir/ Nunca mais vou ouvir/ O que o meu coração mandar/ O coração fala muito/ E não sabe ajudar.
Vai jurar que nunca mais vai fazer.
Vou acreditar.

Contatos:
Endereços eletrônicos: pcamillo60@uol.com.br, pliniocamillo@hotmail.com
Telefones: 11 99627-9640 / 11 5908-2044

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CORAÇÃO PELUDO

O escritor Plínio Camillo lança o seu mais novo livro, a coletânea de contos “Coração Peludo”.
Dia: quarta-feira, 23 de julho de 2014.
Horário: 19 às 21h30
Local: Casa das Rosas – Avenida. Paulista, 37 – Bela Vista – São Paulo
Custo: R$ 35,00 (trinta e cinco reais; no evento, pagamento somente com dinheiro ou cheque)

Palavras certeiras
Nesta obra, Plínio Camillo descreve situações marcantes em formas curtas. Seu protagonista (cujo nome não nos é revelado) compartilha com o leitor momentos diversos e decisivos da sua experiência de vida, tão surpreendente quanto a linguagem do escritor. Em poucas, mas certeiras palavras, Camillo dá o tom das circunstâncias, descreve personagens e conclui as passagens que seu narrador escolhe para relatar.

Capa do livro

A escrita do autor é povoada de citações que definem diferentes épocas. São bordões de publicidade, desenhos animados e trechos de música que ficaram na memória popular e dos quais Camillo se apropria concedendo personalidade ao texto. Sua narrativa se inscreve numa estética de escrita naturalista, com recursos para contextualizar as vivências de seu personagem crível justamente por ser humanamente contraditório. Como bem descreve seu prefaciador, o escritor e jornalista Gláuber Soares: “Numa época em que boa parte da literatura brasileira se encontra asséptica, indevidamente pasteurizada, Plínio Camillo rasga o peito do seu personagem principal, fio condutor entre todos os contos”. E complementa: “Sem pudor e, sobretudo, sem desperdiçar palavras com descrições enfadonhas ou explicações desnecessárias, o autor, no vigor do seu estilo, parece ter encontrado um antídoto contra a chatice”.

Edição Original: 2014
ISBN: 978-85-66179-59-0
Editora Kazuá – www.editorakazua.com.br

Contra capa
“Devassa na promoção, Marlboro do Paraguai e uma donzela.
— Vem sempre aqui? Uma dose dupla de rapariga. Explico a todos a diferença entre o realismo e o simbolismo. Ligo para o Edgard, não atende. — Japinhas me deixam louco, sabia? Sabem fazer um yakissoba de afundar Tóquio…
— Uma amarelinha, por favor!
— Que tal em casa? Mostro a minha coleção de mangás e os DVDs do Nacional Kid. Gostei do seu bigode”.

Assim começa mais um capítulo na trajetória do nosso herói. Cínico, faminto, visceral, sem nenhum medo de errar – um corajoso ou um inconseqüente? Nem ele mesmo sabe. Aliás, nunca parou para pensar nisso. Ele só sabe que, na dúvida, só resta agir.

Não, este não é um mais um livro de contos. É uma sequência de fragmentos que contam uma ótima história. Mas cada fragmento/conto tem começo, meio, fim e muito recheio saboroso.

“Encaixo o soco. Empurro forte. Dou um braço e meio de distância do meu pai.
Mostro os dentes, misto de sorriso com raiva. Jeito bom de se sofrer.
‘Nem vem que não tem/ Nem vem de garfo/ Que hoje é dia de sopa’.
Ele vem como um polvo maluco. Saio de lado e aplico uma gravata.
— Ela falou que meu pau é muito maior!”

Plínio Camillo nasceu em Ribeirão Preto em 1960, reside em São Paulo desde 1984, tendo vivido em Campinas entre 1998 a 2001. Publicou seu primeiro livro “O Namorado do Papai Ronca” em 2012, selecionado pelo Concurso de Apoio a Projetos de Primeira Publicação de Livro no Estado de São Paulo do ano de 2011 (ProAC Edital nº 32/2011), e lançado pela Prólogo Selo Editorial em parceria com o Instituto Cultural Mundomundano, chamando a atenção pela inovação na língua-gem, apropriando-se do modo de expressão usual nas redes sociais.

Estimulado pela literatura de autores como Marcelino Freire, Dalton Trevisan, Lima Barreto e Dashiell Hammett, o autor encontra referências também na dramaturgia e na tradição teatral, área em que tem uma vasta experiência. Participou do Curso de Extensão Cultural em Teatro na Unicamp, atuando como autor, diretor, ator, iluminador e assistente de produção nessa área. “Produzi, ao longo de meus primeiros quarenta e nove anos, alguns roteiros de vídeo, historietas e peças curtas. Escondi tudo!“

Camillo reconhece em sua construção narrativa o aporte dessa vivência teatral. Possivelmente, por também ser educador, sua escrita demonstra relação com o contemporâneo na linguagem e nas temáticas tratadas.

Mantém os Blogs:
O Namorado do papai ronca: http://pliniocamillo.wordpress.com/
Outras Vozes: http://negrosoutrasvozes.wordpress.com/
Bombons Sortidos: http://contosbombonsortidos.wordpress.com/

Contatos:
Endereços eletrônicos: pcamillo60@uol.com.br, pliniocamillo@hotmail.com
Telefones: 11 99627-9640 / 11 5908-2044

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UM REMÉDIO PARA ROTINA

Noite de segunda feira em São Paulo. O dia foi abafado, a chuva ameaça cair e travar a cidade novamente. O ônibus chega e muitas pessoas sobem desesperadas. Depois, duas idosas sobem. O motorista dispara e ninguém oferece o lugar para as damas envelhecidas, que estão de bengala na mão, equilibrando a vida, o cabelo totalmente branco. A lei foi esquecida! Avanço pela catraca degustando a cena tipicamente brasileira. Um sujeito gordo, esparramado num banco amarelo, grita no telefone:

– Hoje mandaram quatro! Eu escapei, mas amanhã é outro dia. Nova tortura. Algo não cheira bem naquele lugar. Aquela loira toma muito café com o gerente e ela está fazendo a cabeça dele. Safada! Estou quase fazendo besteira. Você me conhece…

bookDepois de dez minutos as senhoras conseguem abrigo e respiram aliviadas. Pelas rugas no rosto, aparentam setenta anos ou mais. Porém, uma expressão de alegria transborda daqueles olhos. A sensação é que elas conhecem perfeitamente à vida e as mazelas desta sociedade, que pouco valoriza e compartilha o pensamento coletivo.

O gordo permanece falando no telefone. Agora com outra pessoa e mais calmo:

– Até hoje encarar esse destino parece a coisa mais complicada na minha vida. Momentos bons duram pouco; enquanto momentos desagradáveis perfuram a eternidade. Por favor, esquece o que aconteceu com a gente e vamos viver juntinhos. Você sabe muito bem que eu amo você, loucamente…

Mais no fundo do coletivo, dois jovens estudantes da USP conversam em tom filosófico:

– Não é a loucura que faz a imaginação transbordar que prejudica o homem. O que lasca o trabalhador brasileiro é a ironia do poder público. Você ouviu o motorista dizer que um buraco imenso, numa avenida movimentada, fez aniversário? E os milhões de reais que são coletados com o IPVA? Quem fiscaliza e controla essa merda? Em qual cueca está o dinheiro do povo? As novelas não conseguem tampar o sol com a peneira!

– Não venha com esta história de insanidade. Você sabe que o universo da loucura representa um pecado brutal para os fanáticos religiosos, e a corrupção fundou o Brasil. O povo tem o que merece!

– Essa sociedade é medíocre! Eu já disse e você não aceita. Não entende…

Meu celular toca, mas ignoro. Abro um livro e mergulho na obra O Andarilho das Sombras. Ler não é só uma ferramenta do conhecimento. É um “remédio” que dissolve a rotina paulistana e faz você viajar por histórias que ainda não foram desvendadas. Leia por ler.

Marcelo Andrade é jornalista, trabalha na produtoramc e é autor do livro O Evangelho das Ruas.

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A UNIÃO DO VOTO

É curioso ler “Ensaio Sobre A Lucidez” em época de protestos. Tanto na história de papel quanto na história de carne e osso (e bombas e balas de borracha), o povo justificou o uso do artigo definido. E, nos dois casos, os governos ficaram um tanto perdidos…

No livro de José Saramago, a população da capital de um país vota em massa em branco. Sabotagem? Ou cansaço de incompetência? O governo fica com a primeira opção, cerca a capital, declara estádio de sítio, ninguém-entra-ninguém-sai, busca enlouquecida por culpados. E nem passa pela cabeça deles querer saber o motivo da insatisfação.

Os dois protestos foram contra a política tal como ela é feita. Não foi especificamente contra ninguém, nem contra partido A ou B. O governo do livro responde com estupidez, inclusive empanturrando (e, depois, bem mais do que isso) a mulher do médico que aparece no romance “Ensaio Sobre A Lucidez”.

Contra o voto? Não. O escritor português mostra como a união e o uso de uma ferramenta democrática oficial pode combater a oficialidade tosca, que suga a sociedade ao invés de servi-la (sua obrigação). É a população corroendo o esquema por dentro. 2014 está aí…

Participação do Leandro Vieira, de São Paulo. @Levidosan

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VENDO PÓ…ESIA

Rodrigo Ciríaco inova e lança um livro-objeto

Escritor conhecido pelos contos ácidos e coordenação de saraus chega com publicação poética.

“Vendo Pó…esia” é o novo trabalho de Rodrigo Ciríaco, educador, editor e escritor de Ermelino Matarazzo, Zona Leste de São Paulo, autor dos livros “Te Pego Lá Fora” (2008) e “100 Mágoas” (2011) e coordenador do coletivo literário Mesquiteiros.

po

Conhecido por escrever contos fortemente marcados por expressões orais e por uma narrativa seca, crua, seu novo trabalho apresenta seus poemas, muitos deles facilmente identificado em vários saraus periféricos da cidade (como “Biqueira Literária” e “Canto Periférico”), mas que ainda não haviam sido reunidos e publicados em edição própria. Traz também vários outros poemas que fazem referência à poesia concreta e a poesia marginal, dos anos 1960 e 1970, com grande apelo visual e estético e que estabelece relação direta com o movimento de literatura marginal-periférica ao qual o escritor está vinculado.

Feito em parceria com a designer Silvana Martins (Sarau da Ademar), o livro é uma provocação já em seu formato: 60 páginas unidas, divididas por dobras de uma folha única, que o torna um livro-objeto manipulável, estabelecendo assim diferentes leituras – e usos – por seus apreciadores.

Vale lembrar também que Ciríaco já representou o Brasil em festivais literários na França, na Alemanha, na Argentina e em breve deverá ir para a África.

Indicação da  Jéssica Balbino  de Poços de Caldas.

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DO SOM AO IMPACTO

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